O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), revelou nesta quarta-feira (18) que recebeu uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após ser alvo de uma investigação da Polícia Federal relacionada ao caso Banco Master. Segundo o senador, o chefe do Executivo manifestou solidariedade e reforçou sua confiança pessoal e política.

Em entrevista à Band, Jaques afirmou que Lula pediu que ele permanecesse firme diante das acusações e classificou a operação como uma tentativa de enfraquecê-lo politicamente.

“O presidente Lula ligou para se solidarizar, dizer que mantém absoluta confiança em mim. Temos uma relação de mais de 40 anos e ele conhece meu jeito de agir. Ele me disse para ficar firme, que essa seria uma tentativa de desestabilização, mas que eu poderia contar com sua confiança”, relatou o senador.

Apesar da investigação, Jaques Wagner garantiu que permanecerá na liderança do governo no Senado e confirmou que pretende disputar a reeleição em 2026. “Espero ser reeleito”, declarou.

A apuração da Polícia Federal tem como base mensagens encontradas no celular de Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os investigadores suspeitam que Wagner tenha atuado em favor dos interesses da instituição financeira dentro do Congresso Nacional.

Entre os pontos analisados estão a defesa de propostas relacionadas à ampliação do crédito consignado e o apoio a uma medida apelidada nos bastidores de “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). Em troca, segundo a linha de investigação, o parlamentar teria recebido benefícios que incluiriam um apartamento de luxo em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, além de outras vantagens que somariam pelo menos R$ 3 milhões.

Durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero, realizada nesta quinta-feira (18), agentes da PF apreenderam US$ 55 mil e 33 mil euros em espécie em endereços ligados ao senador. A ação integra o inquérito que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, a expectativa é de que Lula mantenha apoio às investigações e adote um discurso de cautela sobre o caso. De acordo com auxiliares do presidente, a orientação é que Jaques Wagner apresente suas explicações enquanto os órgãos de controle seguem com as apurações.

Aliados do governo também avaliam que o senador pode optar por deixar a liderança governista no Senado nos próximos dias para evitar desgastes políticos ao Planalto. Além do caso Master, interlocutores de Lula apontam que a recente derrota do governo na articulação para indicar Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) aumentou as críticas internas à atuação de Jaques na coordenação política da base aliada.