O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (5) que está “carregando nas costas” o que chamou de “promiscuidade” no Supremo Tribunal Federal (STF) após as recentes revelações relacionadas ao Banco Master.
A declaração foi feita durante a primeira reunião da coordenação da campanha de Lula depois do primeiro turno das eleições. O petista terminou a primeira etapa da disputa em segundo lugar, com 45,16% dos votos válidos, atrás de Flávio Bolsonaro (PL), que teve 47,03%.
“Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte Brasileira depois dessa denúncia”, afirmou Lula.
Sem citar diretamente o caso Banco Master, o presidente defendeu uma nova reforma do Poder Judiciário. Segundo Lula, o tema deverá ser discutido durante a campanha para o segundo turno.
As declarações ocorrem em meio a questionamentos sobre contatos e procedimentos envolvendo ministros do STF e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master.
Caso Banco Master envolve ministros do STF
O assunto passou a ser acompanhado pela campanha de Lula desde o início de setembro.
Em 1º de setembro, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um documento da Polícia Federal que mencionava encontros entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
No dia seguinte, Mendonça confirmou ter se reunido por cerca de duas horas com Vorcaro, em março de 2025, antes de assumir a relatoria de questões relacionadas ao caso.
Em 9 de setembro, o ministro Flávio Dino mencionou o encontro em uma decisão e afirmou que o episódio tornava “mais grave” uma possível interferência de Mendonça nas competências de outros ministros.
Além de Moraes, Mendonça, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli também passaram a ser citados em questionamentos relacionados ao caso.
O episódio foi incorporado à estratégia eleitoral de Flávio Bolsonaro. Durante uma viagem pelo Nordeste, em setembro, o candidato do PL passou a associar Lula à crise envolvendo o STF e Moraes.
Lula pede mais trabalho no segundo turno
Na reunião desta segunda-feira, Lula também discutiu a estratégia para os 20 dias de campanha até o segundo turno.
“São 20 dias, mas é melhor. Vamos dormir menos, vamos trabalhar mais”, afirmou.
A diferença entre Lula e Flávio no primeiro turno foi de pouco mais de 2,3 milhões de votos.
O presidente também pediu que aliados que não conseguiram se eleger no primeiro turno não responsabilizem os eleitores pelo resultado.
“Não brigue com o eleitor. Não fale mal do eleitor porque não votou em vocês”, disse.
Segundo Lula, a derrota de candidatos pode estar relacionada à dificuldade de transmitir suas propostas ao eleitorado.
“Às vezes o povo não vota porque o povo não nos compreendeu. Nem sempre quando a gente abre a boca, o que a gente fala as pessoas compreendem. Então nós temos que ter humildade”, afirmou.
Presidente defende debates no segundo turno
Lula também defendeu a participação nos debates entre os candidatos à Presidência.
“Agora é importante ter debate na televisão, porque agora é tête-à-tête. Agora é um contra um. É cada um poder explicar qual é o debate”, declarou.
A campanha petista já havia indicado que Lula pretende participar do maior número possível de debates durante o segundo turno.
O presidente nacional do PT e coordenador da campanha, Edinho Silva, afirmou nesta segunda-feira que a intenção é que o petista participe dos confrontos.
O primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro está previsto para domingo (11), às 20h, na Band, em parceria com outros veículos de comunicação.
Se os dois candidatos participarem, será o primeiro confronto direto entre eles em um debate televisionado nesta eleição. No primeiro turno, Lula e Flávio não participaram juntos de nenhum debate na televisão.
Ao encerrar a reunião, Lula demonstrou confiança na disputa e citou sua experiência em eleições presidenciais.
“Ninguém foi para o segundo turno mais do que eu e também ninguém ganhou mais eleições do que eu para a Presidência”, afirmou.
“Se preparem, porque nós vamos ganhar as eleições aqui”, completou.
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