O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta terça-feira (14), a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cobrar uma taxa de 20% sobre embarcações que cruzarem o Estreito de Ormuz. Durante um evento em São Caetano do Sul (SP), o petista classificou a medida como um ato de “pirataria” e afirmou que os EUA não deveriam lucrar com um conflito que, segundo ele, ajudaram a provocar.

Ao comentar a proposta anunciada por Trump, Lula afirmou que a cobrança representa uma prática incompatível com o papel histórico desempenhado pelos Estados Unidos.

“Isso antes era considerado pirataria. Um Estado importante como os Estados Unidos, que combateu a pirataria por muito tempo, não deve agora se tornar pirata”, declarou.

Na avaliação do presidente brasileiro, a tensão envolvendo o Estreito de Ormuz é consequência direta da atuação militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Lula ressaltou que, antes da escalada do conflito, a principal rota marítima para o transporte mundial de petróleo permanecia aberta.

“O estreito não estava fechado antes da guerra. Não foi o Brasil quem inventou esse conflito, quem disparou ou matou alguém”, afirmou, responsabilizando Washington pelo agravamento da crise.

Lula também acusou os Estados Unidos de utilizar justificativas falsas para atacar o Irã. Segundo ele, a alegação de que Teerã buscaria desenvolver armas nucleares lembra o argumento usado por Washington para invadir o Iraque, em 2003, sob a acusação de que o regime de Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa — fato que nunca foi comprovado.

O presidente ainda criticou a possibilidade de os EUA cobrarem pela segurança da navegação na região.

“É muito delicado ver que os Estados Unidos provocam uma guerra e agora começam a cobrar dos navios pela segurança que oferecem. Isso não é normal, não é democrático nem civilizado. É alguém se aproveitar da desgraça para ganhar dinheiro”, afirmou.

Segundo Lula, a instabilidade no Oriente Médio já provoca reflexos na economia brasileira, principalmente pela alta nos preços de produtos influenciada pelas incertezas em torno do Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo.

Entenda a proposta de Trump

Na segunda-feira (13), Donald Trump anunciou que os Estados Unidos passarão a cobrar uma taxa de 20% sobre todas as cargas que atravessarem o Estreito de Ormuz. O republicano afirmou que o país atuará como “guardião” da rota marítima após o Irã ameaçar bloquear a passagem em resposta aos recentes ataques americanos.

A proposta gerou reação imediata de Teerã. O Exército iraniano declarou que não permitirá interferência dos Estados Unidos na administração do estreito. Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, ironizou a cobrança anunciada por Trump e afirmou que o país continuará sendo o responsável pela segurança da região.