A federação formada por União Brasil e Progressistas (PP), chamada União Progressista, não deve apoiar oficialmente a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

A tendência, segundo integrantes da cúpula das duas legendas ouvidos pelo g1, é que a federação permaneça neutra na disputa pelo Palácio do Planalto. Com isso, os diretórios estaduais deverão ter liberdade para apoiar o candidato considerado mais conveniente em cada região.

A decisão ocorre em meio a desgastes acumulados entre Flávio Bolsonaro e dirigentes da federação, além da pressão exercida por lideranças estaduais contrárias a uma aliança nacional com o senador.

Nas federações partidárias, duas ou mais siglas passam a atuar de maneira conjunta em todo o país por um período mínimo de quatro anos.

Desgaste com Ciro Nogueira

No Progressistas, a insatisfação com Flávio Bolsonaro aumentou após o presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira, ser alvo da Polícia Federal, em maio, durante uma investigação envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.

Aliados de Ciro afirmam que o dirigente esperava uma manifestação pública de Flávio em sua defesa. O posicionamento, porém, não ocorreu.

Antes do afastamento entre os dois grupos, chegou a ser discutida a possibilidade de Ciro Nogueira integrar, como candidato a vice-presidente, uma chapa encabeçada pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

União Brasil também demonstra incômodo

O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, também teria demonstrado desconforto após a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, filiado ao partido e pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro.

Canella, que é aliado de Flávio Bolsonaro, foi preso na quarta-feira (8), durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne. Um fuzil foi encontrado no porta-malas do carro do ex-prefeito.

Em depoimento à Polícia Federal, Canella declarou que a arma era utilizada por um policial militar responsável por sua segurança. Segundo os investigadores, entretanto, ele não apresentou provas que confirmassem a versão.

Integrantes do União Brasil também esperavam que Flávio se manifestasse publicamente sobre o caso, o que não aconteceu.

Pressão por neutralidade

Desde o início do ano, dirigentes do União Brasil e do PP recebem pedidos para que a federação não assuma uma posição nacional na eleição presidencial.

A principal preocupação é regional. Parlamentares, especialmente do Nordeste, avaliam que um apoio formal a Flávio Bolsonaro poderia prejudicar candidaturas estaduais em locais onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém forte apoio eleitoral.

Mesmo sem uma aliança nacional com o pré-candidato do PL, os diretórios estaduais deverão ser liberados para construir acordos conforme as realidades locais.

PP de São Paulo deve apoiar Flávio

Em São Paulo, o Progressistas pretende seguir um caminho diferente e apoiar Flávio Bolsonaro. Dirigentes da legenda consideram a aproximação importante para fortalecer a pré-candidatura do secretário estadual da Segurança Pública, Guilherme Derrite, ao Senado.

A avaliação interna é que André do Prado, pré-candidato do PL ao Senado, já conta com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Flávio, portanto, deveria concentrar esforços para impulsionar Derrite.

Nas eleições de 2026, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, o equivalente a dois terços da Casa. Cada estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores para mandatos de oito anos.

Pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira (6) apontou Simone Tebet (MDB), com 18%, e Marina Silva (PSB), com 16%, tecnicamente empatadas na disputa pelas vagas de São Paulo.

Marina também aparece em empate técnico com Ricardo Salles (Novo), que registrou 13%. André do Prado tem 11% das intenções de voto, enquanto Guilherme Derrite aparece com 10%.