O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas à influência do crime organizado e das milícias no Rio de Janeiro durante agenda oficial neste sábado (23), na capital fluminense. Em discurso ao governador interino do estado, Ricardo Couto, o petista afirmou que a principal expectativa da população é ver “ladrões e milicianos” presos.

A declaração ocorreu durante a inauguração da nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ao falar sobre segurança pública, Lula disse que o governo estadual deve concentrar esforços no combate às organizações criminosas que, segundo ele, comandaram o Rio ao longo dos últimos anos.

“Ninguém está esperando que você faça viaduto, ponte ou praia artificial. O que o povo quer é que você trabalhe para prender todos os ladrões que governaram esse estado e deputados que fazem parte de milícia organizada”, afirmou o presidente.

Lula também demonstrou preocupação com o avanço das facções criminosas no território fluminense e criticou a situação da segurança no estado. Segundo ele, é inadmissível que o Rio de Janeiro, considerado uma das cidades mais conhecidas do mundo, esteja constantemente associado ao domínio do crime organizado.

“O povo do Rio não merece isso. Não é possível um estado tão poderoso e bonito ser governado por miliciano”, declarou.

Durante o evento, o presidente voltou a defender a criação do Ministério da Segurança Pública, proposta que depende da aprovação da PEC da Segurança Pública no Senado. Lula afirmou que a medida pretende ampliar a atuação da União nas políticas de combate à criminalidade.

“O governo federal precisa ter um papel mais efetivo na segurança pública. Pela Constituição de 1988, a União tem participação limitada nessa área”, disse.

O petista ainda afirmou que muitos governadores acabam ficando “reféns da polícia”, o que, segundo ele, dificulta o enfrentamento estrutural da violência e do crime organizado.

Ricardo Couto ocupa interinamente o comando do governo do Rio de Janeiro após decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que manteve o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) no cargo até que a Corte decida sobre a realização de eleições para um mandato-tampão no Executivo estadual.