Os candidatos ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) protagonizaram, nesta terça-feira (29), o último debate do primeiro turno na TV Globo. O encontro foi marcado por críticas às gestões de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), além de discussões sobre segurança pública, saúde e serviços estaduais.
Com uma disputa concentrada nos dois principais candidatos, o debate retomou temas que marcaram a campanha, como a privatização da Sabesp, os resultados da educação, concessões de transporte e os índices de feminicídio.
A segurança pública abriu o encontro. O tema é apontado como uma das principais preocupações dos eleitores paulistas. Haddad e Tarcísio trocaram acusações ao citar políticos investigados ou presos em operações relacionadas ao crime organizado.
Haddad mencionou a atuação do Comando Vermelho no interior paulista e afirmou que o PCC teria ampliado sua presença em instituições públicas e privadas. Também criticou os índices de feminicídio e os casos de roubos e furtos de celulares.
“Nós estamos batendo recorde de feminicídio no estado de São Paulo. Recorde de crimes de natureza racial, recorde de intolerância com a comunidade LGBT”, afirmou o petista.
Haddad também citou os roubos de celulares e questionou a atuação do governo estadual contra o crime organizado.
Tarcísio rebateu as críticas e apresentou números para defender a política de segurança de sua gestão. O governador também afirmou que a violência contra a mulher é um problema nacional.
“É uma questão nacional, está acontecendo em todo o Brasil. Infiltração do crime tem em todo lugar”, disse.
Na resposta, Tarcísio citou a prisão de um vereador do PT investigado por suposta ligação com lavagem de dinheiro envolvendo uma empresa de ônibus.
Saúde vira disputa sobre Lula e Bolsonaro
No bloco seguinte, Tarcísio escolheu discutir saúde e citou a Baixada Santista. Haddad aproveitou o tema para criticar a condução da pandemia durante o governo Bolsonaro.
O petista afirmou que parte das filas de procedimentos médicos foi agravada durante a pandemia e responsabilizou a gestão federal da época.
Tarcísio, por outro lado, voltou a criticar a administração de Haddad na Prefeitura de São Paulo. O governador afirmou que o petista não cumpriu a maior parte das metas estabelecidas para a área da saúde durante sua gestão municipal.
A discussão também avançou para questões econômicas. Tarcísio citou dificuldades enfrentadas por empresas e questionou Haddad sobre a necessidade de ajuste fiscal no país.
O governador relacionou ainda problemas na execução de obras de infraestrutura, como a Linha 6-Laranja do metrô, a efeitos provocados por investigações da Operação Lava Jato.
Privatização da Sabesp e outros temas
Ao longo do debate, os candidatos retomaram discussões que estiveram presentes durante toda a campanha.
A privatização da Sabesp foi novamente questionada por Haddad, enquanto Tarcísio defendeu a medida e os resultados apresentados pelo governo estadual.
Educação, concessões de transporte, feminicídio e contratos da Prefeitura de São Paulo também entraram nas discussões. Haddad citou contratos municipais que estão sob investigação, enquanto Tarcísio mencionou pedidos de recuperação judicial de empresas durante o governo Lula.
O presidente argentino, Javier Milei, também foi citado durante o encontro. Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro apareceram principalmente nas considerações finais.
Aliados acompanham debate
Os principais aliados dos dois candidatos acompanharam o debate nos estúdios da Globo.
Entre os apoiadores de Tarcísio estavam André do Prado (PL), Guilherme Derrite (PP), Ricardo Salles (Novo), Felício Ramuth (PSD), Baleia Rossi (MDB), Ricardo Nunes (MDB), Edson Aparecido (MDB) e Guilherme Afif Domingos (PSD).
A presença de Ricardo Salles chamou atenção. Um dia antes, ele havia desistido da candidatura ao Senado e declarado apoio a André do Prado e Guilherme Derrite.
Salles e Prado protagonizaram alguns dos principais embates entre candidatos da direita durante a campanha. Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou a retirada de vídeos publicados por Salles contra Prado após considerar falsas algumas das acusações feitas pelo candidato do Novo.
Na plateia de Haddad estavam Marina Silva (Rede), Simone Tebet (MDB), Márcio França (PSB), Edinho Silva (PT) e Marco Aurélio Carvalho (PT).
Discussão após o debate
Depois do encerramento do encontro, Ricardo Nunes e Otávio Antunes, marqueteiro da campanha de Haddad, discutiram nos bastidores.
Nunes criticou as falas de Haddad sobre sua administração na Prefeitura de São Paulo. O marqueteiro respondeu com palavrões, e o prefeito precisou ser retirado do local.
Como foi o debate
O encontro foi mediado pelo jornalista Alan Severiano e transmitido ao vivo pela TV Globo, diretamente dos estúdios da emissora em São Paulo.
Foram convidados os candidatos de partidos e federações com pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional. O debate foi dividido em quatro blocos, com perguntas feitas pelos próprios candidatos.
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