O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade pelas novas tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros. Em publicação feita na madrugada desta quinta-feira (16), Rubio afirmou que o petista deixou de negociar “de boa-fé” e priorizou interesses políticos em vez de buscar um acordo entre os dois países.

“Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, escreveu o secretário.

As declarações ocorreram um dia após os Estados Unidos confirmarem a aplicação de novas tarifas sobre cerca de 4 mil produtos brasileiros. Somadas, as alíquotas podem chegar a 37,5%.

EUA apontam supostas práticas desleais

Segundo o governo norte-americano, a medida foi adotada com base em investigações que apontariam supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil, incluindo questões ligadas ao comércio digital, barreiras regulatórias, trabalho forçado e desmatamento ilegal.

As tarifas foram divididas em duas frentes. Uma delas, de 25%, está relacionada a temas como o Pix, acesso ao mercado e regras regulatórias. Já a segunda, de 12,5%, foi justificada pelos Estados Unidos com base em alegadas falhas do Brasil no combate ao trabalho forçado.

Além de Rubio, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) também intensificou as críticas ao governo brasileiro por meio das redes sociais.

Em uma série de publicações, o órgão questionou o funcionamento do Pix, criticou a redução das importações brasileiras de etanol norte-americano e apontou supostas deficiências na proteção da propriedade intelectual e no combate à corrupção.

O USTR também afirmou que o Brasil concede condições tarifárias mais favoráveis a países como México e Índia do que aos Estados Unidos em diversos setores.

Governo tentou evitar tarifaço

Nos bastidores, o Palácio do Planalto já esperava o anúncio e vinha mantendo negociações com autoridades norte-americanas para tentar evitar o aumento das tarifas.

Segundo o governo brasileiro, mais de 30 contatos foram realizados nas últimas semanas, entre reuniões presenciais, videoconferências e conversas telefônicas.

As negociações envolveram representantes dos governos dos dois países em diferentes níveis, incluindo o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e o próprio Marco Rubio.

Representantes da indústria, do agronegócio e até integrantes da oposição também participaram de audiências promovidas pelo governo norte-americano na tentativa de reverter a medida.

Itamaraty rebate críticas

Fontes do Itamaraty contestaram os argumentos apresentados pelos Estados Unidos e afirmaram que o endurecimento das tarifas tem motivação política.

De acordo com interlocutores do governo, a taxação começou em 10%, foi elevada posteriormente para 50% e, diante de questionamentos judiciais nos EUA, passou a ser fundamentada na chamada Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

O governo brasileiro também rebateu as críticas sobre o desmatamento, destacando que a devastação na Amazônia foi reduzida pela metade entre 2022 e 2025.

As acusações envolvendo o Pix e outros pontos levantados pelos Estados Unidos também foram rechaçadas em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

No documento, o governo Lula classificou a decisão da gestão de Donald Trump como injustificada e informou que dará início aos procedimentos para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos.