O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rebateu nesta quinta-feira (16) as críticas feitas pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre a condução das negociações entre os dois países após o anúncio de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Em tom duro, o chanceler afirmou que o verdadeiro incômodo do governo norte-americano é o fato de o Brasil não ter aceitado as exigências apresentadas por Washington.
“Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações”, declarou Mauro Vieira durante discurso no Itamaraty.
O ministro afirmou ainda que os EUA pressionaram o Brasil por uma abertura ampla de setores estratégicos da economia sem oferecer qualquer contrapartida aos produtos brasileiros.
“Cito, como exemplo, demandas de abertura total, irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros”, disse.
A resposta veio após Marco Rubio afirmar, nas redes sociais, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não negociou de “boa-fé” e teria colocado “o próprio ego” acima de um acordo que beneficiasse os brasileiros. Para o secretário de Estado, esse comportamento teria levado à adoção das novas tarifas.
Mauro Vieira classificou as declarações como “inaceitáveis” e afirmou que Rubio ultrapassou os limites da diplomacia.
“As declarações de Rubio são inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros. Ele ataca, de forma grosseira e arrogante, o chefe de Estado de um país amigo, que se empenhou pessoalmente pela abertura de canais de negociação em várias ocasiões”, afirmou.
Na quarta-feira (15), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) oficializou uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. O governo norte-americano alega que o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais, citando, entre outros pontos, o sistema de pagamentos Pix.
O governo brasileiro, no entanto, contesta a justificativa. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que os Estados Unidos registraram superávit de US$ 7,5 bilhões — cerca de R$ 38 bilhões — na balança comercial com o Brasil no último ano.
A nova rodada de tarifas amplia a disputa comercial entre os dois países, iniciada há mais de um ano. Na ocasião, produtos brasileiros chegaram a ser taxados em até 50% pelo governo de Donald Trump.
Em carta enviada ao governo brasileiro, Trump também relacionou parte da medida ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Meses antes, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro viajou aos Estados Unidos e afirmou que buscaria apoio da administração norte-americana em relação ao processo envolvendo seu pai, condenado a 24 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
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