O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, fez duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (20), durante um almoço com empresários na Mooca, zona leste de São Paulo. No evento, o parlamentar afirmou que olha para a Corte com “nojo” e disse que pretende entrar para a história, ainda que seja como um “presidente de transição”.

“O Brasil precisa atravessar um mar revolto nesse momento”, declarou Flávio durante o encontro.

O senador estava no palco ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).

Mais cedo, durante sabatina transmitida pela rádio CBN, Tarcísio afirmou que Flávio teria assumido o compromisso de exercer apenas um mandato caso seja eleito. O governador mencionou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), protocolada pelo senador em março, que prevê o fim da reeleição.

Críticas ao STF

Durante o discurso, Flávio afirmou que episódios ocorreriam de forma “impune” no Supremo e defendeu que uma mudança no cenário político dependeria tanto da eleição presidencial quanto da renovação da bancada do Senado.

O candidato também afirmou que, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito, poderá indicar mais quatro ministros ao STF. Segundo Flávio, essas futuras indicações poderiam resultar em perseguição à população.

O senador prometeu que, caso seja eleito presidente, indicará quatro nomes para o Supremo, entre homens e mulheres, que, segundo ele, tenham compromisso com o cumprimento da Constituição.

Promessas a empresários

Diante de empresários e comerciantes da zona leste de São Paulo, Flávio também falou sobre economia. O senador prometeu trabalhar pela redução da carga tributária e afirmou conhecer as dificuldades enfrentadas por lojistas.

Segundo ele, os custos de aluguel são elevados e as margens de lucro dos comerciantes, reduzidas.

Flávio já foi sócio de uma franquia da Kopenhagen. O estabelecimento foi citado em investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre um suposto esquema de “rachadinha” que teria ocorrido quando o atual senador exercia mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

À época, o Ministério Público apontou suspeita de que a loja teria sido utilizada para lavar até R$ 1,6 milhão. Flávio sempre negou irregularidades.

Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou decisões tomadas pela Justiça do Rio no caso, ao entender que o processo não deveria ter tramitado na primeira instância em razão do foro por prerrogativa de função.

Tarcísio e Nunes manifestam apoio

Durante o encontro, Tarcísio afirmou que a candidatura de Flávio representa uma oportunidade de “resgatar a esperança” no país.

Ricardo Nunes, por sua vez, cobrou que deputados estaduais e federais aliados incluam os números de urna de Tarcísio e Flávio nos materiais eleitorais.

“Estou guardando todo santinho que não tem”, afirmou o prefeito.

A agenda desta quinta marcou a primeira aparição pública de Flávio na cidade de São Paulo após a confirmação de sua candidatura à Presidência.

Pela manhã, o senador visitou o Mercadão de São Miguel, também na zona leste, acompanhado por Nunes, que tem participado da organização de compromissos políticos do candidato na capital paulista.

Durante a visita, Flávio cumprimentou apoiadores, fez fotos e chegou a levantar uma peça de picanha. O gesto foi usado como crítica a Lula, que explorou o preço e o acesso à carne durante a campanha presidencial de 2022.

Filme “Dark Horse”

Flávio também foi questionado sobre a prestação de contas do filme “Dark Horse”, produção que teria recebido R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Segundo o senador, o material já teria sido vazado e “estava tudo certinho”. Flávio foi responsável por negociar com o banqueiro o investimento na produção.

A produtora declarou gastos de aproximadamente R$ 75 milhões com o filme. Um laudo privado anexado a um inquérito policial que apura suposto uso de recursos públicos na produção, porém, não detalhou os financiadores nem apresentou notas fiscais emitidas pelos fornecedores.