A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça a abertura de um inquérito para investigar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pedido tem como base diálogos atribuídos a pessoas próximas ao banqueiro Daniel Vorcaro, nos quais é mencionada uma garrafa de uísque que teria sido dada de presente ao presidente.

O Palácio do Planalto nega que Lula tenha recebido o presente. Em nota, a Presidência afirmou que o presidente se encontrou apenas uma vez com Vorcaro e que a reunião ocorreu em dezembro de 2024. O governo também destacou que foi durante a atual gestão que o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master e que a Polícia Federal prendeu Vorcaro no âmbito das investigações sobre a instituição.

Mensagens citam suposto presente

As conversas foram divulgadas pelo jornal O Globo. Em uma delas, o advogado Walfrido Warde, que atuou para Vorcaro até o início deste ano, teria relatado ao banqueiro uma conversa com Lula no Palácio do Planalto.

Segundo a mensagem, enviada em janeiro de 2025, Warde escreveu:

“Querido, estive com o PR hoje. Ele me perguntou se você estava bem e mais tranquilo. Eu lhe disse que sim. Ele agradeceu mais uma vez o whisky e mandou um abraço. Outros detalhes eu conto pessoalmente.”

Warde também teria tentado aproximar Vorcaro de integrantes do governo. De acordo com a defesa de Flávio Bolsonaro, registros indicam que o advogado esteve dez vezes no Palácio do Planalto entre 2023 e 2024.

Os advogados afirmam ainda que as mensagens apontariam para tentativas de marcar encontros entre Vorcaro e integrantes do governo, incluindo um almoço com o chefe de gabinete do presidente.

Defesa cita possíveis crimes

A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro sustenta que o conteúdo das mensagens precisa ser investigado e cita, no pedido, possíveis crimes de corrupção e advocacia administrativa.

Segundo os advogados, a mensagem sobre o uísque indicaria que Lula teria recebido o banqueiro fora de um compromisso oficial e aceitado um presente no contexto de interesses do Banco Master junto ao governo.

A defesa afirma que o caso precisa ser esclarecido pelas autoridades.

Flávio Bolsonaro também é investigado no STF por suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção. O caso envolve um pedido de mais de R$ 134 milhões a Vorcaro, que, segundo a investigação, teria como justificativa o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

Pedido está no STF

O pedido de investigação contra Lula foi encaminhado ao ministro André Mendonça. No entanto, a tramitação dos processos relacionados à Operação Compliance Zero está suspensa.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, requisitou o caso para analisar um relatório sobre diálogos que mencionam o ministro Alexandre de Moraes. Com isso, uma eventual decisão sobre o pedido da defesa de Flávio Bolsonaro deve ocorrer somente após a definição dessa questão.

O que diz o Palácio do Planalto

Em nota, a Presidência da República afirmou que Lula encontrou Vorcaro apenas uma vez, em 4 de dezembro de 2024. Segundo o governo, o banqueiro foi ao Palácio do Planalto acompanhado do ex-ministro Guido Mantega.

A reunião com Lula não estava prevista na agenda oficial e contou também com a participação do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e de Gabriel Galípolo, que na época era diretor de Política Monetária e atualmente preside o Banco Central.

De acordo com a Presidência, Vorcaro afirmou durante o encontro que se sentia alvo de perseguições. Lula teria respondido que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central.

O governo afirma ainda que não houve outro contato entre Lula e Vorcaro.

A Presidência também negou que Lula tenha recebido qualquer presente, afirmando que o presidente não tinha conhecimento de uma suposta articulação envolvendo o banqueiro.

Por fim, o Planalto ressaltou que foi durante o atual governo que o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master e que Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal nas investigações sobre a instituição.