Com a chegada do mês de outubro, a cozinha pode virar espaço de brincadeira e aprendizado. Montar pratos coloridos, sentir aromas e ajudar no preparo de receitas simples são formas de aproximar as crianças das frutas, segundo a professora Monica Lizete Ruschel dos Reis, do curso de Gastronomia da UNIASSELVI. A especialista, porém, faz um alerta: uma única experiência não garante que a criança vá aceitar novos alimentos.

Para Monica, o exemplo da família pesa nessa aproximação. “A criança tende a se aproximar dos alimentos que vê em casa. Isso não significa que aceitará tudo imediatamente, mas aquilo que não é apresentado dificilmente fará parte de seu repertório alimentar”, afirma.

Segundo a professora, muitas recusas vêm do estranhamento diante de sabores, aromas ou texturas desconhecidas. Um alimento amargo, ácido ou fibroso pode causar reação negativa já no primeiro contato. “Por isso, não costumo interpretar a recusa simplesmente como ‘manha’ ou falta de educação”, explica.

Brincadeira com os sentidos

Antes de provar, a criança observa, cheira, toca e imagina o sabor. Monica sugere usar esses estímulos a favor da descoberta. Uma ideia é montar uma “paleta” com o amarelo da manga, o vermelho da melancia, o verde do kiwi e o laranja do mamão.

Os formatos também contam: a melancia pode virar triângulos, e a banana, uma “lua”. Vale ainda pedir que a criança descreva o cheiro da fruta e compare texturas, como a maciez do mamão e a crocância da maçã. “Não é necessário fazer uma produção sofisticada; o importante é tornar o alimento convidativo”, ressalta.

A professora lembra que o tamanho dos pedaços deve respeitar a idade da criança. Frutas redondas e pedaços firmes podem causar engasgo.

Variedade que cabe no bolso

Outra estratégia é apresentar a mesma fruta de formas diferentes. A banana, por exemplo, pode ir à mesa em pedaços, amassada, assada ou em panqueca. Pratos em que o ingrediente aparece misturado ajudam, mas não devem ser a única saída. Aos poucos, a criança precisa reconhecer a cor, o aroma e a textura do alimento.

A variedade também não depende de ingredientes caros. A dica é observar o que está na safra e o que se produz na região. Banana, mamão, laranja, melancia e goiaba estão entre as opções mais acessíveis. Conforme o local e a época, entram caju, acerola, jabuticaba e outras frutas regionais. “Mais importante do que seguir uma lista fixa é criar variedade dentro da realidade de cada família”, orienta.

Sem prêmio e sem castigo

A professora recomenda evitar frases como “você só ganha sobremesa se comer”. Quando a comida vira prêmio ou punição, a criança pode associá-la à obrigação ou à culpa, e não ao prazer. Diante da recusa, uma resposta possível é: “Tudo bem você não querer provar agora. Podemos conhecer esse alimento outra vez em outro momento”.

Para Monica, o caminho está no equilíbrio. “Acolher a recusa não significa oferecer apenas aquilo que a criança já aceita, mas também não significa forçá-la. É criar oportunidades, com paciência, sem ameaças, comparações ou conflitos”, conclui a especialista. Em casos de recusa intensa ou persistente, dificuldade de mastigação ou grande restrição alimentar, a orientação é procurar um pediatra ou nutricionista. Para colocar as dicas em prática no dia a dia, uma sugestão é montar uma Paleta de Frutas em família.

Atividade em família: Paleta de Frutas

Você vai precisar:

  • Frutas de cores diferentes: de 4 a 5 opções da estação, como manga, melancia, kiwi, mamão e banana.
  • Utensílios: prato grande, tábua e faca (de uso exclusivo do adulto).
  • Tigela com água: para higienizar as frutas.

Como fazer:

  • Escolha: leve a criança à feira ou ao mercado e deixe que ela ajude a escolher as frutas.
  • Higienize: peça que a criança lave as frutas e preste atenção ao som da água.
  • Corte: o adulto corta as frutas em triângulos, rodelas e “luas”, em tamanhos adequados à idade.
  • Monte: a criança separa as frutas por cor e organiza a paleta no prato.
  • Explore: antes de provar, convide a criança a cheirar e descrever cada fruta. É doce, cítrica, suave ou intensa?