O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou a convenção nacional do PDT, realizada na noite desta segunda-feira (20), para adotar um discurso com forte tom eleitoral. No evento, a sigla oficializou apoio à pré-candidatura do petista ao Palácio do Planalto, marcando o primeiro ato partidário em defesa de sua tentativa de conquistar um quarto mandato.

Responsável pelo encerramento da convenção, Lula abordou temas que devem ocupar espaço central em sua campanha, como soberania nacional, defesa da democracia, investimentos em educação e inclusão social. O presidente também voltou a criticar privatizações realizadas durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e fez ataques indiretos à família Bolsonaro.

Sem citar nomes, Lula voltou a classificar integrantes da família do ex-presidente como “traidores da pátria” e associou as recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros à atuação de adversários políticos no exterior.

Defesa da soberania

Ao falar sobre política externa, Lula reforçou o discurso de independência do Brasil diante de outros países e afirmou que cabe apenas aos brasileiros decidir os rumos da nação.

Segundo o presidente, o país precisa recuperar o orgulho nacional e fortalecer sua soberania, sem aceitar interferências externas em decisões internas.

Recado aos Estados Unidos

Durante o discurso, Lula também comentou a recente decisão dos Estados Unidos de impor novas tarifas a produtos brasileiros e fez referência ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Em tom de desafio, o presidente afirmou que qualquer autoridade estrangeira que deseje apoiar seus adversários poderá acompanhar as eleições brasileiras. Ele chegou a dizer que Rubio pode vir ao Brasil e até montar um comitê para apoiar o candidato da oposição, mas declarou estar confiante na vitória do campo democrático nas urnas.

Democracia e críticas ao extremismo

Outro ponto de destaque foi a defesa da democracia. Lula relembrou o período da ditadura militar e disse sentir saudades da época em que disputava eleições contra adversários que, segundo ele, respeitavam as instituições democráticas.

Na avaliação do petista, o ambiente político atual é marcado pelo ódio, pela disseminação de informações falsas e pelo negacionismo. Ele afirmou que o país não pode permitir o retorno de grupos que, em sua visão, representam o autoritarismo e o fascismo.

Ataques às privatizações

Lula também voltou a criticar a política de privatizações implementada no governo Bolsonaro, especialmente a venda da BR Distribuidora, antiga subsidiária da Petrobras.

O presidente questionou quais benefícios a privatização trouxe ao país e afirmou que a empresa poderia contribuir para amenizar os impactos da instabilidade internacional sobre os preços dos combustíveis, em meio às tensões envolvendo o Oriente Médio.

Educação como prioridade

Na reta final do discurso, Lula defendeu a ampliação dos investimentos em educação e voltou a afirmar que a escola em tempo integral deve se tornar uma política nacional.

Segundo o presidente, investir na educação é a medida mais eficiente para transformar o futuro do país. Ele argumentou ainda que a ampliação das escolas de tempo integral beneficia não apenas o aprendizado das crianças, mas também oferece mais segurança e tranquilidade às famílias.