A diferença entre o desempenho eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Maranhão e os números de Felipe Camarão na disputa pelo Governo do Estado é um dos pontos que chamam atenção no atual cenário eleitoral.

Em análise publicada no UdesCast, os dados de duas pesquisas Quaest são colocados lado a lado para observar como a candidatura de Felipe Camarão se comportou entre março e agosto, período em que o petista consolidou sua candidatura e passou a contar com apoio mais explícito de Lula.

A análise não parte de uma conclusão pronta. O ponto é observar o que os levantamentos mostram até agora — e também o que eles ainda não permitem afirmar.

Felipe tinha 7% em março

Na pesquisa Quaest divulgada em março, Eduardo Braide aparecia com 35%, Orleans Brandão com 24%, Lahesio Bonfim com 11% e Felipe Camarão com 7% no cenário estimulado com os quatro nomes.

Naquele momento, o cenário político maranhense ainda estava em processo de definição, com divisões dentro do grupo que governou o estado nos últimos anos e indefinições sobre os caminhos das principais candidaturas.

O levantamento foi realizado pela Quaest entre os dias 12 e 16 de março de 2026, com 900 eleitores. A margem de erro foi de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela TV Mirante e registrada na Justiça Eleitoral sob o número MA-07211/2026.

Cinco meses depois, Felipe aparece com 6%

Entre março e agosto, o ambiente político mudou.

Felipe Camarão avançou na candidatura ao Governo do Maranhão pelo PT e passou a contar com uma manifestação mais clara de apoio de Lula.

A questão levantada no UdesCast é simples: esse novo cenário já apareceu nas pesquisas?

Na Quaest divulgada em agosto, Eduardo Braide aparece com 44%, Orleans Brandão com 25% e Felipe Camarão com 6%.

Isso não significa que Felipe tenha necessariamente perdido um ponto percentual.

Como a margem de erro é de três pontos para mais ou para menos, a comparação entre os 7% de março e os 6% de agosto indica estabilidade estatística.

E é justamente essa estabilidade que chama atenção na análise.

Até o levantamento mais recente, a Quaest não identificou crescimento de Felipe Camarão nesse intervalo.

A pesquisa de agosto foi realizada entre os dias 20 e 23 de agosto de 2026, com 900 eleitores entrevistados presencialmente. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi encomendado pela TV Mirante e registrado no TSE sob o número MA-02558/2026.

Lula aparece com 58%

A comparação ganha outra dimensão quando entra o desempenho de Lula no Maranhão.

Na pesquisa presidencial realizada no estado no mesmo período, Lula aparece com 58% das intenções de voto.

Colocando os dois números lado a lado, o contraste é evidente:

Lula: 58%
Felipe Camarão: 6%

Mas essa comparação precisa ser feita com cuidado.

Os números não significam que os 58% dos eleitores que escolheriam Lula para presidente deveriam automaticamente votar em Felipe para governador.

São duas eleições diferentes.

Um mesmo eleitor pode escolher Lula para presidente e Eduardo Braide, Orleans Brandão ou outro nome para o Governo do Maranhão.

Por isso, a pesquisa não permite concluir que Lula tenha perdido capacidade de transferir votos.

O que pode ser afirmado é mais específico: até a pesquisa mais recente analisada, o crescimento de Felipe Camarão ainda não apareceu nos números da Quaest.

A força de Lula ainda pode produzir efeito?

Essa é uma das perguntas que a análise deixa em aberto.

Felipe ainda pode crescer ao longo da campanha com maior exposição, participação mais frequente de Lula, propaganda eleitoral e mobilização política.

Pode também acontecer de parte do eleitorado de Lula continuar escolhendo outros candidatos na disputa estadual.

Neste momento, qualquer uma dessas conclusões seria previsão.

E a proposta do UdesCast é justamente não antecipar o que ainda não aconteceu.

O retrato disponível hoje mostra que Felipe Camarão permanecia estatisticamente estável entre março e agosto, apesar das mudanças políticas ocorridas nesse período.

Divisão do campo político também entra na análise

Outro ponto observado no vídeo é a divisão do grupo político que esteve unido em eleições anteriores no Maranhão.

Carlos Brandão seguiu um caminho político, Felipe Camarão outro, enquanto Orleans Brandão entrou na disputa estadual e Eduardo Braide construiu uma candidatura própria.

Nesse cenário, o eleitorado que aprova ou vota em Lula não necessariamente está organizado em torno de um único nome para governador.

Isso pode ser um elemento relevante para acompanhar, mas não é tratado no UdesCast como uma explicação definitiva.

Próximas pesquisas podem mostrar se o cenário mudou

A comparação entre março e agosto cria uma referência importante para acompanhar os próximos levantamentos.

Felipe tinha 7% na Quaest de março.

Em agosto, aparece com 6%.

Dentro da margem de erro, segue estável.

Ao mesmo tempo, Lula mantém um desempenho muito superior no Maranhão na disputa presidencial.

A principal questão, portanto, não é afirmar agora se Lula conseguirá ou não transferir votos.

É observar se, com o avanço da campanha, essa força eleitoral começará a aparecer também nos números de Felipe Camarão.

Essa é uma das questões que o UdesCast pretende continuar acompanhando até a eleição.

Informações obrigatórias sobre as pesquisas

A legislação eleitoral determina que, na divulgação de resultados de pesquisas, sejam informados o período de coleta, margem de erro, nível de confiança, número de entrevistas, instituto responsável, eventual contratante e número de registro do levantamento.

Quaest de março: realizada de 12 a 16 de março de 2026; 900 entrevistados; margem de erro de 3 pontos percentuais; nível de confiança de 95%; realizada pela Quaest; contratada pela TV Mirante; registro MA-07211/2026.

Quaest de agosto: realizada de 20 a 23 de agosto de 2026; 900 entrevistados; margem de erro de 3 pontos percentuais; nível de confiança de 95%; realizada pela Quaest; contratada pela TV Mirante; registro MA-02558/2026.

Confira a análise no UdesCast