Uma mudança significativa registrada pela pesquisa Quaest no cenário de segundo turno para a eleição presidencial ocorreu entre os chamados eleitores independentes — grupo formado por pessoas que afirmam não se identificar como lulistas, bolsonaristas, de esquerda ou de direita.

De acordo com o diretor da Quaest, Felipe Nunes, houve uma migração de apoio de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dentro desse segmento, que representa cerca de um terço do eleitorado e é considerado estratégico para a definição do resultado das eleições.

No levantamento divulgado em junho, Lula aparece com 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que registra 38%. O cenário marca o fim do empate técnico observado na pesquisa anterior, realizada em maio, quando o petista tinha 42% e o senador aparecia com 41%.

Entre os eleitores independentes, a mudança foi ainda mais expressiva. Lula saltou de 29% para 37% das intenções de voto, um avanço de oito pontos percentuais. Já Flávio Bolsonaro caiu de 31% para 24%, recuando sete pontos no mesmo período. O percentual dos que afirmam não votar em nenhum dos candidatos passou de 35% para 30%, enquanto os indecisos oscilaram de 5% para 9%.

“A mudança mais expressiva aconteceu nos independentes, que trocaram Flávio por Lula. Mas também chama atenção a oscilação negativa que Flávio obtém entre a direita não bolsonarista”, avaliou Felipe Nunes.

Nesse recorte, a margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

Direita não bolsonarista

A pesquisa também identificou perda de apoio de Flávio Bolsonaro entre eleitores que se posicionam à direita, mas não se consideram bolsonaristas. Nesse grupo, o senador caiu de 88% para 82% das intenções de voto.

Outros nomes testados pela Quaest apresentaram desempenho melhor nesse segmento. Em uma simulação de segundo turno contra Lula, o ex-governador Ronaldo Caiado passou de 69% para 76%. Já Romeu Zema avançou de 74% para 77%, enquanto Renan Santos saltou de 53% para 70%.

A margem de erro para esse grupo é de cinco pontos percentuais.

Lula cresce em outros cenários

O fortalecimento de Lula entre os eleitores independentes também aparece nos cenários em que o presidente é confrontado por outros possíveis adversários da direita.

Contra Romeu Zema, por exemplo, Lula avançou de 34% para 40% entre os independentes, enquanto o governador mineiro recuou de 34% para 24%. O percentual dos que afirmam não votar em nenhum dos candidatos variou de 24% para 28%, e o índice de indecisos permaneceu em 8%.