A Polícia Civil de Pernambuco está na fase final da investigação que apura um caso de intoxicação por mercúrio envolvendo uma professora de artesanato. A principal suspeita é uma aluna, investigada por tentativa de homicídio, após ser filmada colocando uma substância dentro da garrafa de água utilizada pela vítima. Exames periciais confirmaram a presença do metal tóxico tanto na água quanto no organismo da professora.
Mais de um ano após o caso vir à tona, a professora Denny afirma que ainda convive com as consequências da intoxicação. Segundo ela, as sequelas comprometem atividades simples do dia a dia.
“Falta de força nas mãos e as dores… As coisas mais básicas que você faz em uma casa, para mim, se tornam um sacrifício enorme. Tem uma menina que me ajuda e, quando ela não pode vir, minha mãe me ajuda”, relatou.
O episódio ocorreu em um espaço de artesanato instalado no estacionamento do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, onde Denny atuava como professora voluntária. Foi nesse ambiente que conheceu Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, mãe de um paciente em tratamento na unidade e participante das aulas.
De acordo com a vítima, a aluna lhe presenteou com uma garrafa de água que passou a ser utilizada diariamente durante cerca de dois meses. Nesse período, a professora percebeu alterações no líquido, como bolhas e gosto diferente, mas não imaginou que pudesse estar sendo envenenada.
A desconfiança surgiu quando flagrou Maria Aparecida manuseando a garrafa durante uma aula.
“Eu peguei ela mexendo na minha garrafa. Aí ela se assustou e fez como se estivesse tirando ela do local e botando em outro”, contou.
Após o episódio, Denny afirma ter encontrado pequenas partículas na boca antes de ingerir a água. Desconfiada, decidiu esconder um celular na sala para registrar o que acontecia.
As imagens mostram a suspeita colocando um material dentro da garrafa, após cortar um papel com uma tesoura. Em seguida, ela agita o recipiente e deixa o local.
Com as gravações em mãos, a professora procurou a polícia. A garrafa foi encaminhada para perícia e os exames confirmaram a presença de mercúrio. Dois dias depois, Denny retornou ao curso com outra garrafa idêntica e, segundo ela, a suspeita repetiu o mesmo comportamento, sendo novamente filmada.
Os exames laboratoriais também detectaram mercúrio no sangue e na urina da professora. Segundo a investigação, o nível encontrado no sangue da vítima foi de 21 mg, aproximadamente quatro vezes acima do limite considerado tolerável.
O mercúrio é um metal altamente tóxico, capaz de provocar danos graves ao sistema nervoso central, além de afetar órgãos como rins, intestino e pele. Desde 2019, seu uso em termômetros está proibido no Brasil.
A polícia ainda busca esclarecer por quanto tempo a substância foi colocada na água consumida pela professora. Denny afirma que os primeiros sintomas surgiram quase um ano antes das gravações. Como convive com fibromialgia desde 2016, acreditou inicialmente que a piora do quadro estivesse relacionada à doença. No entanto, segundo ela, a reumatologista descartou essa possibilidade ao identificar sintomas incompatíveis com o diagnóstico.
As gravações foram realizadas nos dias 3 e 5 de junho de 2025. Apesar das imagens e dos laudos periciais, o inquérito ainda não foi concluído. O delegado responsável afirma que a investigação está reunindo todos os elementos necessários para comprovar a prática do crime, enquanto a defesa da professora cobra maior celeridade na conclusão do caso.
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