A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 36 anos, investigada por suspeita de torturar e agredir uma empregada doméstica grávida no Maranhão, foi transferida para o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís.

Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), ela está custodiada em uma unidade feminina do sistema prisional maranhense.

A prisão foi mantida após audiência de custódia realizada na 2ª Central de Garantias da Comarca da Ilha de São Luís. O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) informou que o processo segue em segredo de Justiça.

Carolina foi presa na última quinta-feira (7), em Teresina, no Piauí. Conforme a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), ela estava hospedada na casa de familiares quando foi localizada. A defesa nega que a empresária estivesse tentando fugir.

Defesa abandona caso

No sábado (10), a advogada Nathaly Moraes anunciou que deixou a defesa da empresária. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou ter sofrido perseguições, ataques pessoais e ameaças contra familiares após assumir o caso.

A defesa de Carolina informou que pretende solicitar prisão domiciliar, alegando gravidez, problemas de saúde e a necessidade de cuidar do filho de seis anos.

Polícia apreende veículos

Também no sábado (10), a Polícia Civil apreendeu um carro e uma motocicleta que estavam em frente à residência da empresária.

Segundo a investigação, os veículos teriam sido deixados por Carolina e pelo marido antes da viagem ao Piauí. Ambos estavam sem placas e foram recolhidos para perícia.

Jovem grávida relata rotina de agressões

A vítima, de 19 anos e grávida de cinco meses, afirmou ter começado a trabalhar na casa da empresária no início de abril, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.

Segundo o relato, ela aceitou o serviço para conseguir dinheiro para montar o enxoval do bebê. A rotina incluía limpeza da casa, preparo de refeições, lavagem de roupas e cuidados com o filho da empresária.

A jovem afirmou que trabalhava de segunda a sábado, das 9h às 19h, com apenas 30 minutos de intervalo.

Acusação de furto terminou em violência

De acordo com a investigação, as agressões aconteceram no dia 17 de abril, após Carolina acusar a doméstica de furtar um anel avaliado em R$ 5 mil.

A empresária aparece em áudios divulgados nas redes sociais narrando as agressões cometidas contra a vítima.

Segundo o depoimento da jovem, o policial militar Michael Bruno Lopes Santos participou da violência. Ela afirmou que o PM colocou uma arma em sua boca, puxou seus cabelos e tentou forçá-la a confessar o suposto furto.

A vítima relatou ainda que sofreu socos, murros, puxões de cabelo e foi derrubada no chão enquanto tentava proteger a barriga.

Crimes investigados

Segundo a Polícia Civil, Carolina Sthela é investigada por:

  • tentativa de homicídio triplamente qualificado;
  • cárcere privado;
  • calúnia;
  • difamação;
  • injúria.

A tipificação de tentativa de homicídio considera agravantes como motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.

O delegado-geral da Polícia Civil do Maranhão, Augusto Barros, afirmou que as investigações continuam e que novos elementos ainda serão analisados.

“A investigação está em curso. Há informações que já foram apresentadas à sociedade, mas outras ainda dependem de confirmação”, declarou.

PM apresentou versões diferentes

O policial militar Michael Bruno Lopes Santos se apresentou à polícia na quinta-feira (7).

Em depoimento à Corregedoria da PM, ele negou participação nas agressões. Já à Polícia Civil, admitiu que esteve na residência e participou da ação, mas alegou que a maior parte das agressões teria sido praticada por Carolina.

A Corregedoria-Geral da Polícia Militar informou que abriu procedimento interno para apurar a conduta do agente.

A defesa do PM afirmou que ele não praticou atos de violência e que ainda não teve acesso integral ao inquérito.

Áudios agravaram repercussão do caso

O caso ganhou repercussão após a divulgação de áudios atribuídos à empresária.

Em uma das gravações, Carolina afirma que só não foi levada à delegacia porque um dos policiais que atenderam a ocorrência a conhecia.

“Se não fosse eu, teria que te conduzir para a delegacia, porque ela está cheia de hematomas”, teria dito o policial, segundo o áudio divulgado.

Em outro trecho, a empresária afirma:

“Era para ter ficado era mais, não era para ter saído viva.”

Policiais que atenderam ocorrência também são investigados

Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência também passaram a ser investigados.

Segundo a Polícia Militar do Maranhão, foi instaurado procedimento administrativo para apurar a conduta dos agentes. Até o momento, eles não foram afastados das funções.