A jovem Samara Regina, de 19 anos, afirmou ter perdido cerca de 50% da audição após ser agredida pela patroa, a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, durante o período em que trabalhou como empregada doméstica em uma residência de Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.
Nas redes sociais, Samara relatou que começou a sentir fortes dores, zumbidos constantes e dificuldade para ouvir nos últimos dias. Diante dos sintomas, ela procurou atendimento médico e realizou exames para avaliar possíveis sequelas das agressões.
Exames indicam perda auditiva
Segundo a jovem, os exames preliminares apontaram perda de aproximadamente 50% da audição em ambos os ouvidos. Apesar do resultado inicial, ela afirmou que ainda aguarda a conclusão oficial da avaliação médica.
“Como consequência das coisas que aconteceram, eu estava ouvindo muito baixo, mas não achei que era algo tão sério. Comecei a sentir muita dor e um barulho muito alto e resolvi procurar atendimento. Ainda não é conclusivo, mas o exame mostrou uma perda de 50% da audição dos dois lados”, relatou.
Samara também disse que, em alguns momentos, chega a ter dificuldade para ouvir a própria voz.
Grávida, doméstica relata espancamento
Em depoimento à polícia, a jovem contou que sofreu puxões de cabelo, tapas, socos e murros durante as agressões. Grávida, ela afirmou que tentou proteger a barriga enquanto era atacada.
Segundo a vítima, a violência começou após a empresária suspeitar do desaparecimento de um anel dentro da residência. Samara afirmou que, mesmo após o objeto ser encontrado em um cesto de roupas sujas da própria casa, as agressões continuaram.
“Começou com puxões de cabelo. Fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros sem parar. Eu só tentava proteger minha barriga”, disse a jovem em entrevista à TV Mirante.
Ela afirmou ainda que havia aceitado o trabalho temporário de um mês para conseguir dinheiro para comprar o enxoval do bebê.
Jornada extensa e pagamento fracionado
A doméstica também relatou à polícia que trabalhava quase 10 horas por dia, com apenas 30 minutos de intervalo. Segundo ela, além das tarefas domésticas, também era responsável pelos cuidados de uma criança.
Samara contou que recebeu R$ 750 por pouco mais de duas semanas de trabalho. O pagamento, segundo a vítima, teria sido feito em partes e por meio de transferências realizadas em nome de terceiros.
Empresária foi presa no Piauí
A Justiça do Maranhão decretou, no último dia 7 de maio, a prisão preventiva da empresária Carolina Sthela e do policial militar Michael Bruno Lopes Santos, investigados no caso.
Horas depois da decisão, Carolina foi localizada e presa em um posto de combustíveis em Teresina, no Piauí. De acordo com a polícia, ela estava acompanhada do marido e do filho, o que levantou suspeitas de tentativa de fuga.
Após a prisão, a empresária foi transferida para São Luís em um helicóptero da Polícia Civil e levada para a 21ª Delegacia do Araçagy, onde prestou depoimento.
Durante o interrogatório, Carolina negou ser a autora dos áudios divulgados nas redes sociais, nos quais uma mulher relata agressões contra a empregada doméstica grávida. Ela também afirmou estar grávida de três meses.
Polícia confirma autoria de áudios
A versão apresentada pela empresária acabou contrariada pela perícia da Polícia Civil. Em 8 de maio, o Instituto de Criminalística confirmou que a voz presente nos áudios é de Carolina Sthela.
Nas gravações, a empresária descreve as agressões cometidas contra a vítima. O material foi anexado ao inquérito que investiga o caso.
Apesar da negativa inicial, a defesa informou posteriormente que Carolina confessou participação nas agressões.
Prisão preventiva mantida
Após passar por audiência de custódia, a Justiça do Maranhão decidiu manter a prisão preventiva da empresária. Ela deve permanecer em uma unidade prisional feminina em São Luís enquanto o caso segue sendo investigado.
Já o policial militar Michael Bruno Lopes Santos continua custodiado na Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Maranhão.
O processo tramita sob segredo de Justiça.
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