O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a subir o tom contra Donald Trump nesta quarta-feira (17) ao comentar a nova proposta tarifária dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Após participar da cúpula do G7, realizada na França, o petista classificou a medida como um “desaforo” e afirmou que o líder americano continua se comportando como um “imperador”.
Durante conversa com jornalistas, Lula explicou que não buscou um encontro bilateral com Trump durante o evento porque as negociações comerciais entre os dois países já estão sendo conduzidas por representantes dos governos.
“Eu não pedi bilateral para o Trump porque nós estamos em negociação. Acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil. Ele sabe disso. É por isso que eu disse que ele ainda continua agindo como imperador”, declarou.
Apesar das críticas, o presidente afirmou que o Brasil seguirá apostando na diplomacia para tentar evitar o agravamento das tensões comerciais. Segundo ele, a experiência acumulada ao longo da trajetória política reforça sua confiança no diálogo como principal caminho para solucionar impasses.
“Eu nasci no mundo político negociando”, afirmou, ao destacar a atuação do Itamaraty e da equipe econômica nas tratativas com os Estados Unidos.
China e disputa global
Lula também aproveitou para comentar a crescente presença econômica da China em regiões como América Latina e África, tema que tem sido alvo frequente de críticas por parte dos Estados Unidos e de países europeus.
Na avaliação do presidente, o avanço chinês ocorreu porque as nações ocidentais reduziram seus investimentos e sua participação econômica nesses mercados ao longo das últimas décadas.
“Eles não podem se queixar de que a China tomou espaço. Esse espaço estava vazio”, disse.
O petista afirmou ainda que empresas americanas deixaram de disputar oportunidades de negócios em diversos países, incluindo o Brasil, o que abriu espaço para a expansão dos investimentos chineses.
Por fim, Lula reforçou que o governo brasileiro não pretende escolher lados na disputa geopolítica entre Washington e Pequim. Segundo ele, o interesse do país é ampliar parcerias e atrair investimentos que contribuam para o desenvolvimento econômico e para a industrialização de setores estratégicos.
“Quantos mais países tiverem interesse em investir no Brasil, comprar nossos produtos e participar da industrialização dos minerais críticos e das terras raras dentro do nosso território, serão bem-vindos”, concluiu.
Deixe seu comentário