O chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, afirmou nesta quarta-feira (22) que o desmatamento no Brasil teria dado aos produtores rurais brasileiros uma vantagem competitiva em relação aos agricultores norte-americanos. A declaração foi feita durante audiência no Comitê de Finanças do Senado dos EUA, que discutiu a política tarifária do governo Donald Trump.
Greer defendeu a decisão da administração Trump de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida que entrou em vigor nesta quarta. Segundo ele, a decisão foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para investigar práticas consideradas desleais no comércio internacional.
Ao responder a questionamentos de senadores, Greer afirmou que o tema do desmatamento vinha sendo alvo de reclamações há anos.
“Quanto ao Brasil, tivemos reclamações por anos, inclusive de membros deste comitê, sobre o desmatamento florestal, que dava aos agricultores brasileiros uma vantagem sobre os nossos. Então tomamos a medida com base na Seção 301, com uma postura firme”, declarou.
Investigação cita Pix e desmatamento
O relatório do USTR concluiu que o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais em diferentes áreas. Entre elas estão políticas relacionadas ao comércio digital, ao mercado de etanol, ao combate ao desmatamento e ao sistema de pagamentos Pix.
O governo brasileiro rejeita as acusações. No mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que os índices de desmatamento na Amazônia e no Cerrado vêm caindo e apresentou dados para rebater a argumentação dos Estados Unidos. O Palácio do Planalto também negou que o Pix represente qualquer tipo de vantagem comercial desleal para empresas brasileiras.
Senadores criticam estratégia comercial de Trump
Durante a audiência, parlamentares também questionaram os efeitos da política tarifária adotada pelo governo Trump.
O senador democrata Michael Bennet afirmou que o excesso de tarifas acabou enfraquecendo a competitividade dos próprios Estados Unidos e favorecendo o avanço do Brasil no comércio agrícola mundial.
Segundo Bennet, a estratégia comercial adotada pelos EUA prejudica os agricultores americanos e compromete a liderança do país no setor.
Como funciona a nova tarifa
A sobretaxa de 25% passou a valer para mercadorias brasileiras importadas ou retiradas de armazéns para consumo nos Estados Unidos a partir desta quarta-feira.
Produtos embarcados antes da entrada em vigor da medida poderão entrar no mercado norte-americano sem a cobrança adicional, desde que cheguem ao país até 29 de julho.
A nova tarifa será cobrada além dos impostos de importação já existentes. Na prática, um produto que atualmente paga 5% de tarifa passará a recolher 30% para entrar nos Estados Unidos.
Produtos que ficaram de fora
Apesar do endurecimento das medidas, o governo norte-americano excluiu mais de 2,1 mil produtos da sobretaxa para reduzir impactos na economia dos EUA e evitar problemas nas cadeias de abastecimento.
Entre os principais itens brasileiros isentos estão:
- Carne bovina;
- Café;
- Laranja e suco de laranja;
- Petróleo bruto e derivados;
- Minério de ferro, nióbio e grafite;
- Aviões, helicópteros e peças aeronáuticas;
- Computadores, celulares e semicondutores;
- Vacinas, insulina e outros insumos farmacêuticos;
- Fertilizantes.
Produtos que terão tarifa de 25%
A sobretaxa será aplicada sobre diversos produtos brasileiros, entre eles:
- Etanol de cana-de-açúcar e outros biocombustíveis;
- Celulose branqueada (em categorias não isentas);
- Aço e alumínio semiacabados;
- Máquinas agrícolas e equipamentos de mineração;
- Transformadores elétricos de grande porte;
- Calçados;
- Móveis de madeira;
- Pisos, revestimentos e rochas ornamentais;
- Vestuário, tecidos e peças de roupa.
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