O advogado Paulo Cunha Bueno, que integra a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira (29) que Bolsonaro não autorizou o uso de sua imagem e voz em um vídeo produzido com inteligência artificial (IA) e exibido durante a convenção nacional do PL, realizada no último sábado (26), em São Paulo.
A manifestação foi apresentada após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que a defesa prestasse esclarecimentos sobre o material exibido no evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Segundo Cunha Bueno, não houve autorização do ex-presidente para a produção do conteúdo. A defesa também argumenta que Bolsonaro não teria condições de conceder a autorização diante das medidas cautelares impostas por Moraes.
De acordo com o advogado, uma decisão do ministro, de 17 de julho de 2026, suspendeu por 30 dias o direito de visitas a Bolsonaro. Flávio Bolsonaro, por sua vez, estaria impedido de visitar o pai pelo período de 90 dias.
A defesa sustenta que, diante das restrições, não teria ocorrido qualquer contato entre os dois que pudesse resultar em uma autorização específica para a produção do vídeo.
Uso de imagem
Na manifestação, os advogados também afirmam que, antes das atuais restrições judiciais, os filhos de Bolsonaro utilizavam de forma recorrente imagens, gravações, discursos e outras manifestações públicas do ex-presidente em atividades político-partidárias.
Segundo a defesa, essa prática ocorria desde o período em que Bolsonaro ocupava a Presidência da República e nunca teria sido contestada pelo ex-presidente.
Críticas às restrições
Ao final da manifestação, a defesa voltou a criticar as medidas impostas a Bolsonaro e afirmou que elas ultrapassariam os efeitos normalmente associados à perda dos direitos políticos e à inelegibilidade.
Os advogados classificaram as restrições como uma espécie de “silenciamento político” e alegaram que a proibição de manifestações públicas, inclusive por carta, representa uma ampliação dos efeitos da condenação.
A defesa também afirmou que Bolsonaro estaria impedido de exercer atividades de caráter político até o fim das eleições deste ano.
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