Ministro da Fazenda afirmou que cabe aos Estados Unidos comunicar formalmente decisões que impactem o país. Governo teme reflexos no sistema financeiro e no Pix.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (1º) que o Brasil não deve assumir uma postura de “vassalagem” diante dos Estados Unidos ao tratar da decisão norte-americana de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

A medida foi anunciada pelo governo dos EUA na última quinta-feira (29) e gerou críticas dentro da administração federal brasileira. Segundo Durigan, caberia aos norte-americanos comunicar oficialmente a decisão às autoridades brasileiras.

Em entrevista ao SBT News, o ministro afirmou que o governo brasileiro está disposto a dialogar com Washington, mas defendeu que a iniciativa não precisa partir do Brasil.

“Não tenho nenhum problema em entrar em contato e explicar o que pode ser feito. Posso ligar a qualquer momento, mas não cabe ao Brasil estar em um lugar de vassalagem e ligar aos EUA a todo momento”, declarou.

Durigan disse ainda que o tema está sendo debatido internamente pelo governo e que pretende manter conversas com representantes norte-americanos no momento considerado adequado.

Possíveis impactos no sistema financeiro

O ministro alertou que a classificação das facções como organizações terroristas pode gerar consequências para instituições financeiras brasileiras caso a medida avance para sanções econômicas mais amplas.

Segundo ele, eventuais restrições poderiam afetar serviços bancários e até o funcionamento do Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.

“Se isso avançar para uma sanção financeira direcionada a alguma instituição, ela pode ficar impossibilitada de oferecer o Pix. Além de aumentar custos, isso afeta algo que se tornou símbolo da soberania financeira brasileira”, afirmou.

Governo busca evitar prejuízos

Apesar das preocupações, Durigan afirmou que o governo federal trabalha para impedir que a decisão tenha impactos diretos sobre a população e a economia brasileira.

De acordo com o ministro, o Brasil continuará utilizando os canais diplomáticos para esclarecer sua posição e tentar reduzir eventuais efeitos da medida.

“Tudo o que o Brasil pode fazer para explicar a situação tem sido feito. Vamos continuar conversando do ponto de vista diplomático para proteger quem está no Brasil e proteger a economia brasileira como um todo”, disse.