A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quarta-feira (12/8), a Operação Narciso, contra uma rede suspeita de fabricar, adulterar e comercializar clandestinamente anabolizantes, substâncias controladas e termogênicos. O esquema, segundo as investigações, tinha atuação em vários estados brasileiros e conexões com o Paraguai.

Ao todo, a Justiça expediu 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão. Também foi determinado o bloqueio de mais de R$ 32 milhões, além do sequestro de veículos de luxo, fechamento de 13 estabelecimentos e laboratórios e derrubada de 22 perfis em redes sociais que seriam usados para divulgar os produtos e captar clientes.

Segundo a PCDF, os investigados podem responder por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsificação, adulteração ou alteração de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais. Somadas, as penas podem chegar a 50 anos de prisão.

Operação chegou a vários estados

As ações foram realizadas em diferentes regiões do país. No Distrito Federal, os investigadores identificaram estruturas que seriam utilizadas para fabricação e armazenamento dos produtos, além de academias relacionadas à divulgação das substâncias.

Uma gráfica também teria sido usada para produzir embalagens falsas. A investigação identificou ainda pontos de apoio em Goiás, Paraíba, Paraná, Acre e Minas Gerais.

No Paraguai, três brasileiros apontados pela polícia como integrantes da liderança do esquema foram presos em Ciudad del Este. Eles estavam foragidos.

As prisões ocorreram durante uma força-tarefa envolvendo a PCDF, a Polícia Federal em Foz do Iguaçu e a Polícia Nacional do Paraguai.

Celular ajudou a revelar estrutura

As investigações ganharam força após a apreensão do celular de um dos suspeitos durante uma operação. De acordo com a polícia, mensagens encontradas no aparelho ajudaram os investigadores a compreender o funcionamento da rede e identificar os diferentes núcleos.

Segundo o delegado Rodrigo Carbone, da Divisão de Defesa do Consumidor, a investigação identificou quatro grupos especializados na manutenção de laboratórios clandestinos.

De acordo com o delegado, insumos eram trazidos clandestinamente do Paraguai e utilizados na fabricação dos produtos em estruturas improvisadas.

A apresentação dos medicamentos também seria parte importante do esquema. Segundo a investigação, os produtos recebiam embalagens com nomes estrangeiros, bandeiras de outros países e identidades visuais semelhantes às de itens importados ou produzidos por laboratórios conhecidos.

Profissionais teriam participado do esquema

A investigação aponta ainda a participação de profissionais de diferentes áreas. Nutricionistas, treinadores, designers e veterinários estariam entre os envolvidos em etapas da operação.

A atuação teria ocorrido desde a divulgação e recomendação dos produtos até a produção de materiais e obtenção de receitas.

Dinheiro teria passado por laranjas e casas de apostas

Outro foco da investigação é o caminho percorrido pelo dinheiro obtido com a comercialização dos produtos.

Segundo a PCDF, a organização teria montado uma estrutura financeira para dificultar o rastreamento dos recursos. Doleiros fariam transferências entre integrantes da rede e uma das principais fornecedoras, localizada na região de Foz do Iguaçu, no Paraná.

As movimentações teriam utilizado contas de terceiros, empresas de fachada e um sistema conhecido como “dólar-cabo”, no qual valores são compensados entre operadores no Brasil e no exterior sem uma transferência internacional convencional.

Ainda conforme a polícia, pagamentos realizados pelos consumidores eram direcionados para contas de parentes dos investigados e diferentes chaves Pix.

Os investigadores também identificaram movimentações por meio de contas vinculadas a casas de apostas on-line e plataformas de jogos de quota fixa, que teriam sido utilizadas para movimentar e converter parte dos valores.