O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno da eleição presidencial, utilizou o passaporte italiano para viajar do Equador aos Estados Unidos, segundo um documento de declaração de voo. A informação indica que o parlamentar não utilizou o passaporte brasileiro durante o deslocamento.
De acordo com o documento, o uso do passaporte italiano ocorreu após o cancelamento do documento brasileiro, conforme as informações divulgadas sobre o caso.
A mulher e as filhas do senador, por outro lado, apresentaram documentos brasileiros para realizar a viagem.
O episódio ocorre após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que Flávio entregasse todos os seus passaportes à Polícia Federal, incluindo documentos de outras nacionalidades.
Antes de chegar aos Estados Unidos, Flávio e os familiares cruzaram a fronteira entre Argentina e Brasil às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província argentina de Misiones. Cerca de 40 minutos depois, embarcaram em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador. As informações sobre a passagem pela Argentina foram confirmadas pela Direção Nacional de Migrações do país.
Na terça-feira, um aliado próximo do senador e uma fonte do governo norte-americano disseram à agência Reuters que Flávio havia viajado para os Estados Unidos.
A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que o parlamentar entregasse todos os passaportes à Polícia Federal. O prazo estabelecido pela decisão terminou sem que a entrega fosse realizada, segundo as informações divulgadas.
Senador havia negado intenção de deixar o Brasil
Na véspera da viagem, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais em que negou a intenção de deixar o país. Na gravação, afirmou que permaneceria no Brasil para organizar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (26), após vencer o senador no segundo turno da eleição presidencial por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos.
A viagem ao exterior, portanto, ocorreu depois da declaração pública em que o parlamentar havia afirmado que ficaria no país.
Investigação por suspeita de lavagem de dinheiro
A determinação de Moraes para a entrega dos passaportes foi tomada no âmbito de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, amigo do senador. Ambos negam irregularidades.
O caso ganhou repercussão após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, afirmar durante uma transmissão nas redes sociais que Flávio deveria deixar o Brasil caso perdesse a eleição presidencial e passar a liderar a oposição do exterior.
A viagem e o não cumprimento da determinação judicial sobre os passaportes acrescentam novos desdobramentos ao caso. Eventuais consequências jurídicas dependem da análise das autoridades competentes.
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