O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já previa a possibilidade de declarações críticas do presidente da Argentina, Javier Milei, durante sua visita ao Brasil no fim de semana. O líder argentino participou, no sábado (25), da convenção nacional do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, Milei desembarcou no Brasil na sexta-feira (24) e permaneceu no país até o sábado. Apesar da visita ter sido comunicada às autoridades brasileiras por questões de segurança, não houve pedido de reunião com representantes do governo federal.
Nos bastidores, a orientação era evitar manifestações oficiais sobre a presença do presidente argentino, a menos que ele fizesse ataques às instituições brasileiras ou ao processo democrático.
De acordo com uma fonte do governo, a expectativa era de que qualquer declaração contra o sistema eleitoral, as urnas eletrônicas ou instituições do país fosse respondida pelo Planalto.
Durante o discurso na convenção do PL, Milei criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), chamando-o de “lixo careca”. O presidente argentino também reclamou da decisão que impediu sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre medidas restritivas determinadas pela Justiça.
Ao comentar o episódio, Milei afirmou que Lula recebeu visitas de líderes estrangeiros quando esteve preso e citou o ex-presidente argentino Alberto Fernández.
As declarações provocaram reação imediata do governo brasileiro. Ainda no domingo (26), o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para uma reunião com o chanceler Mauro Vieira, no Palácio Itamaraty. Segundo a pasta, o objetivo foi manifestar a “repulsa” do governo brasileiro pelas declarações do presidente argentino.
Em nota oficial, o Itamaraty também anunciou a convocação para consultas do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, que retornou ao Brasil nesta segunda-feira (27).
Na avaliação do Ministério das Relações Exteriores, a medida reflete a gravidade do episódio e representa um aumento da tensão diplomática entre os dois países.
Em nota, o Itamaraty afirmou que “não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, faça agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, ao Poder Judiciário e ao povo brasileiro”. O ministério também lamentou que o episódio envolva um país com o qual o Brasil mantém mais de dois séculos de relações diplomáticas e que é um dos principais parceiros comerciais brasileiros.
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